O poder do Hábito. O que podemos aprender com este livro?

Por que fazemos o que fazemos na vida e nos negócios?

O livro: O Poder do Hábito, do repórter investigativo de New York Times, Charles Duhigg tem a resposta.

Entender como os hábitos funcionam pode abrir inúmeras portas para você, seja nos negócios ou na vida pessoal.

E é isso o que você vai aprender com esse livro: como funcionam, como alterá-los, como controla-los e como usá-los a seu favor.

Como o autor mostra ao decorrer do texto, há vários cases onde pessoas tiveram uma grande conquista proporcionada pelo foco dado aos hábitos.

De um diretor executivo que focou em um hábito angular(hábito que inicia uma reação em cadeia, mudando outros hábitos) e transformou uma empresa, até o case da Starbucks que criou uma cultura de sucesso e da Target, que monitorando os hábitos dos clientes aumentou seu faturamento pra casa dos bilhões.

Para entender como tudo isso foi possível, devemos primeiramente entender a estrutura básica de como os hábitos funcionam:

O Loop do Hábito

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Esses hábitos surgem porque nosso cérebro está o tempo todo procurando maneiras de poupar esforço.

E este instinto de poupar esforço é uma enorme vantagem, pois eles permitem parar de pensar constantemente em comportamentos básicos, de modo que podemos dedicar energia mental para coisas que realmente fazem a diferença.

O processo apresentado na imagem acima é um loop de três estágios:

  1. Deixa: É basicamente um gatilho que manda o seu cérebro entrar no modo automático indicando qual hábito deve ser usado.
  2. Rotina: Pode ser física, mental ou emocional.
  3. Recompensa: Aquilo que ajuda o seu cérebro a saber se vale a pena memorizar este loop específico para o futuro.

Com o passar do tempo, este loop, se torna cada vez mais automático, criando então, uma antecipação. Em outras palavras, a espera da recompensa acontece antes de realizar a rotina, ao se deparar com a deixa.  Essa antecipação é chamada de ANSEIO. 

Conforme associamos as deixas a certas recompensas, surge em nossos cérebros um anseio inconsciente que coloca o loop dos hábitos em movimento. 

E é por isso que os hábitos são tao poderosos, eles criam anseios.

E assim surge um hábito: Juntando uma deixa, uma rotina e uma recompensa e então, cultivando um anseio que dá força para esse loop girar.

Exemplo prático

Um exemplo interessante e  que pode ser muito útil , apresentado pelo autor no livro é o da notificação de celulares:

Quando um celular vibra ou faz algum barulho com uma nova mensagem, o cérebro começa a antecipar a distração momentânea que checar o celular proporciona.

Essa expectativa, se não satisfeita, pode se acumular em momentos que não deveriam, como em uma reunião, onde executivos ficam checando seus smartphones embaixo da mesa, mesmo sabendo que não é algo importante;

Por outro lado, se você retirar a deixa, que nesse caso é a notificação do celular, você é capaz de trabalhar horas a fio sem pensar em conferir o celular, impactando e muito na sua produtividade.

Como mudar um hábito

Em relação a maus hábitos, o indicado é que não podemos elimina-los. Em vez disso, alterá-los.

Segundo Charles, a regra básica para mudar um hábito é usar as mesmas deixas, que proporcionam as mesmas recompensas, porém trocando a rotina.

Com as mesmas deixas e recompensas, quase todo comportamento pode ser alterado.

Mantenha a deixa, ofereça a mesma recompensa, insira uma nova rotina

Veja como exemplo, o caso de fumantes. O indicado é que eles se perguntem a si mesmo, qual a recompensa que eles estão buscando:
É porque ama a nicotina e sente que precisa de um estimulo pro dia? ou é socializar com pessoas?

No primeiro caso, a rotina (fumar um cigarro) pode ser substituída por um pouco de cafeína, a qual proporcionará a mesma recompensa.

No caso do segundo, a rotina (fumar um cigarro) pode ser substituída por bater papo por alguns minutos com alguns amigos, ou grupos de ex-fumantes.

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Porém, para alterar um hábito, somente essa substituição não é o suficiente. É necessário de outro ingrediente.

Esse ingrediente, segundo o livro, é: FÉ.

Para que o hábito permaneça mudado, é necessário que as pessoas acreditem que a mudança é possível.

E na maior parte das vezes, a fé só surge com a ajuda de um grupo.

Os hábitos Angulares

Como citado no inicio deste artigo, os hábitos angulares, são basicamente os hábitos que tem a força para desencadear outros hábitos que ao longo do tempo, transformam tudo.

Ou seja, existem hábitos que são mais importantes que outros que ao se formar, reformulam outros padrões.

Para explicar melhor, o autor utiliza o case de um diretor executivo recém contratado para assumir a liderança de uma corporação que fabricava de tudo mas que não estava nos melhores momentos.

Para colocar a empresa nos trilhos novamente, esse diretor executivo que assumiu a liderança, decidiu focar em uma única coisa (um hábito angular). Ele sabia que se pudesse começar desmanchando os hábitos relacionados a uma única coisa, isso se espalharia por toda empresa.

O novo diretor executivo da Alcoa

O que ele fez? foi focar na segurança no trabalho.

Ele identificou uma deixa simples: um funcionário ferido.

Então instituiu uma rotina automática: cada novo acidente ocorrido nas fabricas, o presidente da unidade tinha a obrigação de notificar o acidente em até 24 horas e juntamente com a notificação, uma solução para que esse tipo de acidente nunca mais ocorresse.

E por fim a recompensa: Só seriam promovidos na empresa aqueles que aderissem o sistema.

Tudo isso sustentado pelo anseio por promoção dos empregados.

Perceba o loop do hábito se formando.

Esse hábito é angular pois para que ele ocorresse, era necessário que os presidentes das unidades, para notificar o acidente em 24 horas, precisassem ficar sabendo do acidente, por intermédio de seus vice-presidentes. Esses vices, precisavam estar em contato constante com os supervisores e esses precisavam fazer com que os funcionários dessem avisos logo que detectassem um problema e deixassem por perto uma lista de sugestões, para que o vice-presidente já teria uma caixa de ideias para bolar um plano.

Ou seja, era necessário que cada unidade criasse um novo sistema de comunicação que facilitasse para que os funcionários do mais baixo escalão, levassem uma ideia ao executivo do mais alto escalão.

Além disso, os hábitos angulares, incentivam uma criação de cultura em que novos valores se tornam arraigados, tornando escolhas difíceis, mais fáceis.

Pois quando se tem valores bem estabelecidos, as  escolhas  são fáceis.

O hábito angular mais forte

Segundo estudos feitos pelo autor Charles, a força de vontade é o hábito angular mais importante de todos para o sucesso individual.

Porém, essa força de vontade é como um músculo: Pode ser desenvolvido e fica cansado quando faz muito esforço, explicando o por que ela não é constante.

Por esse motivo, frequentemente sentimos uma indisposição, um cansaço mental.

Essa força de vontade, segundo pesquisas feitas pelo autor, quando bem desenvolvida, pode afetar todas as áreas de sua vida.

”Quando você aprende a se forçar a ir à academia, a começar sua lição de casa ou a comer uma salada em vez de um hambúrguer. parte do que está acontecendo é que você está mudando o modo como pensa.”

Caso Starbucks

No final da década de 90, a Starbucks estava passando por um desafio: Fazer com que as pessoas pagassem 4 dólares, por um copo de café com leite.

E a conclusão foi que eles precisavam fazer com que os clientes associassem esse copo de café com leite com uma dose de alegria e descontração.

Isso só seria possível se os funcionários tivessem um bom treinamento de força de vontade e disciplina para levar essa alegria e descontração para os clientes.

A Starbucks sabia disso, e até então estavam tentando impulsionar a força de vontade dos funcionários, através de matrículas em academias e workshops de dietas, porém tudo isso se mostrou ineficaz.

Os executivos, ao analisarem de perto, perceberam que a força de vontade dos funcionários, ao se deparar com tensões ou incertezas inesperadas, como um cliente reclamando e gritando por exemplo, fazia com que a disciplina e o auto-controle deles desapareciam, resultando em atitudes ríspidas com os clientes

Foi concluído que o que os funcionários realmente precisavam eram instruções de como agir diante destes pontos de inflexão.

E é assim que a força de vontade se torna um hábito: Escolhendo um comportamento de antemão e seguido uma rotina quando um ponto de inflexão surge.

Ou seja, decidir com antecedência  como reagir a uma deixa.

E foi o que os executivos fizeram: Deram aos funcionários um maior senso de autoridade, deixando que eles mesmos decidissem  como agir diante de um ponto de inflexão, como cumprimentar e satisfazer um cliente e sempre recebendo elogios dos gerentes (recompensa).

O resultado: A rotatividade dos empregados diminuiu, satisfação dos clientes aumentou, alavancagem do faturamento para mais de 1,2 bilhão de dólares/ano.

Importância de uma crise

Uma crise é basicamente uma sacudida, uma chance de reexaminar tudo, uma oportunidade preciosa que um líder sábio muitas vezes prolonga de propósito o senso de emergência.

Aproveite as crises para reformular hábitos organizacionais.

Um bom exemplo, de como as crises são valiosas e devem ser aproveitadas,citado é o de um hospital, que possuía hábitos organizacionais destrutivos.

O pior desses hábitos era a inimizade entre médicos e enfermeiros.

Os médicos basicamente, se achavam mais importantes do que as outras pessoas que trabalhavam por lá, e consequentemente, eles não seguiam todos os procedimentos de segurança estabelecidos no hospital e quando enfermeiras cogitavam seguir algum procedimento que estava sendo esquecido, os médicos eram ríspidos e grosseiros.

Até que um dia, um médico cirurgião, começou a operar o lado errado da cabeça de um paciente acidentado, após recusar que o enfermeiro averiguasse com os fichas e familiares do paciente qual era o lado da cabeça exatamente.

O paciente jamais recuperou a plena consciência e duas semanas depois, morreu.

Alguns meses depois dessa cirurgia malfeita, outros erros médicos grotescos como o citado acima foram cometidos, e por conta dessas infrações o hospital foi multado em mais de 450 mil dólares e estava se tornando sinônimo de caos, sendo alvo das criticas da mídia.

Com essa pressão da mídia, os administradores receosos em perder a credencial do hospital, tomaram uma atitude:

Após a sacudida

  • Submeteram todos os funcionários a um programa de treinamento intensivo que enfatizava o trabalho em equipe e realçava a importância dos enfermeiros;
  • instalaram câmeras nas salas de operação para garantir que todos os procedimentos fossem seguidos;
  • implantaram checklists obrigatórios antes de qualquer operação;
  • um sistema computadorizado que permitia que qualquer empregado do hospital notifica-se anonimamente problemas que pusessem a saúde dos pacientes em risco.

 

Essa crise ofereceu a oportunidade de fazer coisas que eram impossíveis de serem feitas antes.

Nunca se deve desperdiçar uma crise séria

Como monitorar e manipular os hábitos de compras dos clientes

Para exemplificar essa estratégia, o autor usa o caso de Andrew Pole, um estatístico que começou a trabalhar na Target, uma loja que vendia de tudo.

Sua função era construir modelos matemáticos capazes de peneirar os dados e descobrir padrões.

Ou seja, sua função seria tornar-se um leitor de mentes matemático, decifrando os hábitos dos consumidores para convence-los a comprarem mais.

Como bases em dados, a Target descobriu que o grupo mais rentável era de grávidas e novos pais. Esses eram simplesmente famintos por produtos de indiferentes preços.

Então, Os superiores da Target designaram a Andrew e seus colegas a tarefa de criar um algoritmo que descobrisse quais clientes, com bases em seus padrões de compras, estavam grávidas, para então projetar eficientes campanhas de marketing  específicas para esse público.

O que acontece, é que os hábitos de compra das pessoas tendem a mudar mais acentuadamente quando elas passam por um grande acontecimento na vida.

Isso tornou a tarefa de Andrew executável.

O que eles descobriram foi que as mulheres grávidas reagem mal se perceberem que alguém está a monitorando.

E para fazer propaganda para uma mulher grávida, sem revelar que você sabe que ela esta gravida, eles começaram a misturar esses anúncios com coisas que sabiam que grávidas nunca comprariam, fazendo com que os anúncios de coisas para bebes parecessem aleatórios e descobriram que, contado que a grávida não soubesse que foi espionada, ela usaria os cupons.

E está é a lição deste capitulo: Se você veste alguma coisa nova em hábitos antigos, fica mais fácil para o público aceitá-la.

Em pouco tempo, as vendas da seções para bebes da Target dispararam.

Um guia prático para executar a mudança de hábito

O livro termina com um modelo para entender como os hábitos funcionam e um guia para experimentar com o modo como eles podem mudar.

Esse modelo segue as seguintes etapas:

  1. Identifique a rotina
  2. Experimente com recompensas
  3. Isole a deixa
  4. Tenha um plano

Primeiro passo: Identifique a rotina

Segundo Charles, a primeira coisa a se fazer é identificar a rotina, que é o aspecto mais óbvio: é o comportamento que você quer mudar.

Segundo passo: Experimente com recompensas

As recompensas são responsáveis para satisfazer anseios e em muitos casos, não estamos cientes de quais anseios estão guiando nosso comportamento.

Para saber, ajuste sua rotina de modo que ela proporcione uma recompensa diferente.

Após realizar a rotina, se pergunte sinceramente se essa recompensa satisfez o anseio. Coloque um alarme em seu celular para tocar em 15 minutos. Quando ele tocar, pergunte a si: Você ainda sente o impulso de realizar aquela rotina?

Experimentando diferente recompensas, você pode isolar qual é o anseio. Faltando somente identificar a deixa.

Terceiro passo: Isole a deixa

Para isso, o autor recomenda usar um sistema de psicologia: identificar de antemão categorias e examiná-las de forma a buscar padrões:

As categorias:

  • Lugar
  • Hora
  • Estado emocional
  • Outras pessoas
  • Ação imediata anterior

Sempre que você sentir o impulso de fazer a rotina, anote em um papel essas cinco coisas exatamente no instante em que ocorreu.

Fazendo isso durante alguns dias, você verá um padrão entre essas categorias. Normalmente todas as deixas se encaixam em uma entre essas cinco categorias.

Tenha um plano

Uma vez que você descobriu o loop do hábito, você pode começar a alterar seu comportamento, para uma rotina melhor, planejando-se para a deixa e escolhendo um comportamento que ofereça a recompensa pela qual você esta ansiando.

Esse é o modelo de ponto de partida que permite que você identifique os elementos do loop, você ganha poder sobre ele.

E assim, termina o livro.

O livro Poder do Hábito, de Charles Duhigg, contém ensinamentos poderosos e vale a pena uma leitura mais profunda.

Aconselhamos firmemente que você adquira este livro. Aprendizado garantido.

Deixe um comentário abaixo sobre o que você achou do artigo e, se já leu o livro e tem mais algum ensinamento que deveria estar nesta lista, comente!

Como sempre, esperamos que nossos conteúdos sejam uteis para nossos leitores. Só assim esse trabalho fará sentido.

Um abraço e até a próxima!

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